Arquivo mensal: abril 2013

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

SUGESTÃO DE ATIVIDADE

A data foi instituída em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato, no dia 18 de Abril de 1882, o visionário escritor que lutou muito para ampliar a leitura no Brasil. Até os dias atuais é reconhecido como o principal autor de livros infantis, por sua linguagem fácil e imaginativa.

1 – “Um país se faz de homens e livros” – Monteiro Lobato

Monteiro Lobato retratou como ninguém a essência da cultura brasileira em sua obra, por meio de personagens com característica regionais, evidenciando os costumes da roça e as lendas do folclore nacional.

RODA DE LEITURA

Modo de fazer:

1. Escolha uma obra de Monteiro Lobato.

2. Dilua a leitura em rodas diárias, criando suspense e despertando a curiosidade das crianças para a próxima roda.

2 – “Quem conta um conto aumenta um ponto”

Após a leitura, monte uma oficina de criação com seus alunos. Proponha que em duplas  elaborem um texto mudando ou acrescentando personagens, acontecimentos e situações à história lida. Os recontos deverão se transformar em um livro que poderá ser doado para a biblioteca da escola para que outras crianças possam perceber que também são capazes de se transformarem em autores.

Crie uma bela capa com desenhos feitos pelos alunos. Vai ficar sensacional!

X da questão

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes.

(Fernando Pessoa)

As conclusões de um estudo de caso talvez sintetizem a intenção deste dicionário. Comecemos por atribuir um nome fictício à escola: “Escola X”, por nela estar contido o… X da questão. É uma instituição da rede particular de ensino de uma cidade capital de estado. Acolhe alunos provenientes de famílias de classe média-alta. A Escola X dispõe de um belo projeto, no qual pontificam os valores inscritos na Lei de Diretrizes e Bases: autonomia, respeito, democraticidade… O projeto (escrito) contém abundantes citações de autores na moda, num discurso feito de pedagogia pseudo-humanista e de caricaturas de construtivismo. A prática é a negação daquilo que está escrito.

Acompanhados de pais que, conscientemente, aderiram ao projeto, alguns professores da Escola X tomaram a iniciativa de rever práticas e dar-lhes coerência. Crentes de que a autonomia é construída através da cooperação, perguntavam: como é possível desenvolver autonomia numa aula, quando se considera o educador como objeto, mero executante de determinações?

Foram instalando dispositivos, refletindo efeitos, trabalhando gratuitamente, fora do horário de aula, em equipe. Excelentes resultados não demoraram a surgir. Logo também apareceram torpes reações: colegas “professores” (não sei se poderei dar-lhes tão digno estatuto) sabotaram o trabalho dessa equipe. E todo o esforço se perdeu entre os caprichos do dono da Escola X e a conivência de serviçais “professores”, que, para não perderem o emprego, perderam a dignidade. “Professores”, cuja desonestidade intelectual foi recompensada com tablets oferecidos por um chefe que crê que o dinheiro pode comprar consciências.

Esse diretor, ignorante do que seja a pedagogia, tomou decisões carentes de fundamentação pedagógica, científica, ou de mero bom senso, e que feriam os valores consagrados no projeto da instituição. Decisões com obediência bovina comunicadas (ou, melhor dizendo, impostas) por uma coordenadora aos educadores. Herdeiro de uma cultura autoritária, o dono da Escola X impôs os seus caprichos, beneficiando a representação conservadora que muitas famílias-clientes têm do que seja uma escola e um projeto. Verifiquei, aliás, que esses pais conservadores ignoravam o conteúdo do projeto, nunca o leram!

Aquela escola transformou-se numa fraude. Conceitos como democraticidade, diálogo e responsabilidade ética continuam a enfeitar o projeto (escrito), enquanto os padrões de comportamento quotidiano refletem uma herança civilizatória calcada na dominação, no autoritarismo. Os educadores, que ousaram não concordar com absurdas decisões, não puderam fazer ouvir a sua voz. Foram intimidados, ostracisados e até mesmo despedidos. O trabalho sério de reflexão sobre as práticas, um acervo de rica documentação arquivada num computador, desapareceu misteriosamente. Ninguém soube indicar o seu paradeiro… E a Escola X continuou cativa de uma concepção de produção em série, do papaguear conteúdo, da parcelarização do conhecimento.

Alguns pais, os mais conscientes da situação, reagiram, exigiram o cumprimento do projeto. Porque não foram escutados, levaram os seus filhos para outras escolas. Denunciei as contradições, mas isso para nada serviu. Afastei-me da Escola X.

Mais uma iniciativa de professores sérios foi frustrada. Mas não se pense que os pais e professores desistiram – foram recomeçar em outro lugar.

A situação descrita não é inédita; é bem comum, aliás. E permite-nos perceber uma das razões pelas quais o Brasil continua imerso numa profunda crise moral.

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