Arquivo mensal: dezembro 2012

O ensino domiciliar e a suposta educação moral

Silvia M. Gasparian Colello

Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

 

Como uma corrente em ascensão mundial, a opção de pais pela educação dos filhos em casa (homeschooling) vem ganhando adeptos no Brasil, passando de 250 para 1.000 casos de adesão familiar desde 2009[i]. Nos Estados Unidos, mais de 2 milhões de crianças e jovens foram deliberadamente retirados das escolas para serem educadas em casa. Ancorados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que defende o direito dos pais na escolha do gênero de instrução destinada a seus filhos, o ensino domiciliar contraria a legislação brasileira que, tanto na Lei de Diretrizes e Bases como no Estatuto da Criança e do Adolescente, impõe como dever dos pais a matrícula de crianças e jovens em instituições de ensino. No Código Penal considera-se que deixar de prover instrução é crime de abandono intelectual, razão que justifica processos movidos pela justiça brasileira contra nove famílias. Como reação ao conflito, algumas já planejam uma ação conjunta requerendo o direito de educar seus filhos e, assim, sair da situação de clandestinidade. Na mesma linha de reivindicação, corre na Câmara dos Deputados um projeto de lei para regulamentar a Educação Básica domiciliar.

No movimento do homeschooling as justificativas fundamentam-se em três argumentos: a ineficiência do ensino, a violência na vida escolar e o descaso em relação à Educação moral. O acordo com as críticas formuladas fortalece a nossa convicção sobre a necessidade de se valorizar a Educação, a profissão docente e os mecanismos de promoção da qualidade de ensino. Trata-se de uma luta pedagógica e política indispensável para a conquista de uma sociedade efetivamente democrática. Uma luta que, no entanto, só pode ser travada no contexto da participação social e não por alternativas individualistas, por vezes elitizadas, que ignoram a Educação como um direito coletivo. Por essa lógica, defender uma alternativa de Educação para o “meu filho” significa descomprometer-se com o futuro das próximas gerações.

Ao considerar internamente a proposta de ensino domiciliar, condenamos com veemência o pressuposto de que o projeto educativo de formação humana possa ser levado a cabo pela mera coleção de saberes adquiridos no contexto do isolamento e da superproteção familiar. A aprendizagem significativa não se faz pela assimilação de conteúdos dispostas nas redes de informação, mas antes pela capacidade de relacionar ideias, articular conhecimentos, sentimentos e posturas na constituição de si e de modos de ser em face da vida. Para tanto, importa que o indivíduo aprenda a interagir, argumentar e lidar com situações de conflito, assumindo a responsabilidade por suas decisões. Por isso, não há conhecimento independente de posturas, compromissos, desejos, valores e disponibilidades para a ação. Além disso, a resolução de problemas que se colocam nas inúmeras relações com os outros e com os objetos de conhecimento funcionam como um verdadeiro mote para o despertar de interesses, a ampliação de horizontes e a promoção do “aprender a aprender”.

Do ponto de vista da aprendizagem, é pouco provável que o contato com os pais-professores, por mais eruditos que sejam, possa superar as situações promovidas em classe por aproximadamente 85 professores especialistas que integram a trajetória da Educação Básica. É pouco provável também que, nos limites da própria casa, os jovens tenham a oportunidade de desenvolver competências e de colocar seus saberes a serviço da inserção social. Do ponto de vista socioafetivo, há que se condenar o reducionismo das relações e a sobreposição dos papeis de pais e professores. Tais condições tendem a limitar (sem os benefícios dos eventuais contrapontos) os parâmetros de referência e de experiência emocional justamente porque situam em apenas duas pessoas as relações de autoridade, hierarquia, afeto, admiração, submissão, respeito e obediência. Finalmente, do ponto de vista da formação humana, é impossível garantir na situação doméstica a pluralidade de experiências vividas na relação com os colegas: oportunidades de fazer e perder amigos, lidar com diferenças e tensões interpessoais, ganhar e perder, medir forças e contar com a cooperação do outro, brigar e se defender, desenvolver sentimentos de solidariedade, tolerância, empatia, cumplicidade…

A contradição explícita nesses argumentos torna-se mais insustentável em face dos dois princípios da Educação moral assumidos pelos adeptos do homeschooling: garantir aos filhos os valores pessoais e protegê-los dos maus exemplos da sociedade, tais como a sexualidade pré ou extra conjugal, a homossexualidade, a gravidez precoce e a violência. No que diz respeito ao primeiro, entendemos que a intenção deliberada de “reproduzir o eu no outro” configura a Educação como um processo de manipulação contrário ao desejável livre-arbítrio. Por sua vez, o princípio de proteção, balizado pelo falso pressuposto de que “esconder é evitar o perigo”, parece ir na contramão da formação ética e moral para a cidadania. Afinal, como preparar alguém para a vida e para o mundo com base em práticas apartadas da vida do mundo?

 

 

Responsabilidade

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

 

A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.

Saint-Exupéry

A “Declaração universal para a responsabilidade humana” nos diz que a humanidade, em toda sua diversidade, pertence ao mundo vivo e participa de sua evolução, que os seus destinos são inseparáveis. E propõe princípios gerais, que podem servir de base para um novo pacto social. Eis um exemplo: O exercício do poder só é legítimo quando serve o bem comum e quando é controlado por aqueles sobre os quais esse poder é exercido; a busca da prosperidade não pode ser desvinculada de uma partilha justa das riquezas; os saberes e as práticas só adquirem todo seu sentido quando são compartilhados e usados em prol da solidariedade, da justiça e da cultura da paz. Isso mesmo: é impossível ser feliz sozinho… Como estamos longe de concretizar os princípios da Declaração! Se um ser humano pode reivindicar seus direitos, deve, igualmente, manifestar consciência de que as suas responsabilidades são proporcionais aos direitos que reivindica, responsabilidade pelo outro, compromisso.

Observo carros ultrapassando a fila pelo acostamento, mentes “enfileiradas” segundo valores inculcados por práticas sociais nocivas. Vejo furar a fila, no banco, na repartição pública. Olho as inscrições pichadas nos banheiros de serviços públicos, manifestações de indigência mental, irresponsabilidade daqueles que ignoram que a assunção da dignidade humana também passa pela utilização de um banheiro.

Em uma cidade do interior, ao lado da placa de aviso de quebra-molas, vi uma placa repleta de “nãos”: Não urine na calçada / Não jogue lixo no chão /  Não faça sexo na praça / Não saia atirando. Uma universidade ofereceu viveiros de plantas a escolas da sua região, e somente uma dessas escolas manteve o seu viveiro… vivo. Nas restantes, as plantas secaram. Parece que as tarefas que exigem algum sacrifício são de responsabilidade dos outros. Se apontamos algo errado a um aluno, é provável que a resposta seja: Não fui eu!

A modernidade projetou-nos em uma ética individualista, na qual se pretende conservar a benesse da liberdade, ignorando a prática da responsabilidade, algo que lhe é inerente. A Educação formal fragilizou o conceito de ética, e as  transgressões são justificadas como regras do jogo para a sobrevivência. Urge, por isso, que estâncias educacionais, como as escolas, concretizem uma Educação integrada na pólis, o exercício da corresponsabilização na formação, uma formação estruturante da vida pessoal e comunitária. Como diria Augusto Boal, “cidadão não é aquele que vive em sociedade – é aquele que a transforma”. E outro mestre de nome Carlinhos nos diz que cada pessoa que passa pela nossa vida não nos deixa só, deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. A nossa vocação é cooperar, ser corresponsável. Ninguém existe sozinho, não há entidades vivas isoladas em si.

Se uma escola, no seu projeto político-pedagógico, assume, perante as famílias dos seus alunos, que deles farão seres responsáveis, deverá assegurar coerência entre o projeto escrito e a prática efetiva do projeto. Isto é, terá de encontrar modos de agir com responsabilidade. Muitas escolas o conseguem. Mas… e as outras? Visitei uma “Escola de Aperfeiçoamento de Profissionais da Educação” (era assim que rezava a placa ostentada no pórtico de entrada). Havia muito lixo espalhado pelo chão dos corredores e nas salas de aula. Quando uma professora me perguntou por que razão as escolas não mudam, lacônico, eu respondi:

Olha à tua volta. E olha para o chão!

Qualidade de Vida

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

 

A aquisição desenfreada de brinquedos colaborou muito para que o ato de brincar ficasse em segundo plano. Resultado: as crianças, na atualidade, quando querem brincar não podem e quando podem não querem ou não sabem mais.

Rosely Sayão 

 

Certamente todo mundo conhece a história do pescador que, tendo acabado de fisgar três peixes, considerava ter alimento suficiente para a família naquele dia e ia para casa, saborear o dia, saborear a vida. Alguém, contando essa história, acrescentou que esse pescador era um “selvagem”. Mas será selvagem quem recusa ter a subjetividade industrializada, quem se mantém alheio aos ditames de uma economia predadora?

As lojas anunciam os presentes para o Dia das Crianças, para o Natal ou para assinalar outras efemérides apaziguadoras da febre consumista. As vitrines estão repletas de Barbies e laptops da Xuxa… Um pai oferece um celular de última geração à filha, que acaba de completar cinco anos de idade. Os jovens creem que, efetivamente, escolhem aquilo que usam a as crianças são manipuladas pela mídia. Quando chegará o dia em que todas as estações de televisão seguirão o exemplo daquela que aboliu comerciais nos intervalos de programas destinados à infância?

O Brasil ocupa o primeiro lugar entre todos os países do mundo que praticam cirurgia plástica para jovens. O jornal A Folha de São Paulo, de 7 de abril de 2011, noticiava a venda de sutiã com enchimento para meninas de seis anos! Uma cidade brasileira, símbolo do desenvolvimento econômico, contava, em 1960, com seis livrarias e uma academia de ginástica. Agora, tem mais de sessenta academias de ginástica e três livrarias. A mesma cidade registra um índice significativo de endividamento dos jovens. No auge do triunfo do hedonismo, a felicidade restringe-se à satisfação de desejos reciclados. Para os escravos do consumismo, renunciar a alguma coisa prazerosa parece significar perda de liberdade. Talvez nunca tivessem olhado os lírios do campo…

Ninguém nasce consumista. O consumismo é um hábito mental instalado. Onde está a Educação para um consumo crítico, inteligente? Quando se ensinará a comer, a consumir, quando se aprenderá a viver? Se não aprendermos na escola, onde e quando iremos aprender? Dar a conhecer os perigos do fast food é tão necessário quanto o saber colocar a pontuação correta em um texto. Desenvolver a sensibilidade do aluno, de modo a que ele seja sensível a uma suíte de Bach é tão necessário quanto saber fazer multiplicações por dois algarismos.

Os 20% mais ricos da população mundial consomem 86% de todos os serviços e produtos. Os 20% mais pobres consomem apenas 1,3%. Os Estados Unidos, que têm 5% da população mundial, utilizam 25% dos recursos mundiais. Poderemos ignorar que o crescimento econômico e social, da forma como acontece, promove o acúmulo de capital, de modo excludente e com impactos ambientais irreparáveis?

Urge que os educadores, frequentemente, se interroguem: qual será a relação entre Educação e vida sustentável? Como se poderá gerar responsabilidade, atitudes de autorreflexão e ações éticas nos alunos? Ensinamos os meus alunos a prevenir a obesidade mórbida ou a distinguir música de lixo sonoro? Ajudamos os jovens a se defenderem da febre consumista? Contribuímos para que tenham uma boa qualidade de vida? Para que os cidadãos tenham uma boa qualidade de vida, é preciso que sejam, verdadeiramente, cidadãos. Insistindo no óbvio: para que haja uma boa qualidade de vida, é necessária… uma boa Educação.

 

Projetos vitais e juventude

Prof. Dr. Ulisses F. Araújo
Universidade de São Paulo

 

O psicólogo norte-americano William Damon, uma das maiores referência mundiais em Psicologia do Desenvolvimento, coordena na Universidade de Stanford (EUA) um grupo de pesquisas que vem se dedicando a estudar nos jovens os princípios do Purpose (propósito, em tradução literal na língua portuguesa). Em português talvez a melhor tradução para esse termo seja Projeto Vital, pois o conceito de Purpose pressupõe um desejo de fazer diferença no mundo, de realizar algo de sua autoria que possa contribuir para os outros, para a sociedade.

Para Damon, Purpose (ou Projeto Vital) é uma intenção estável e generalizada de alcançar alguma coisa que é ao mesmo tempo significativa para o self e gera consequências no mundo além do self.

Essa definição tem como base alguns pontos essenciais para a sua compreensão. O primeiro deles está relacionado ao fato de que um projeto vital compreende sempre metas e objetivos a serem atingidos no longo prazo e que se caracterizam por uma certa estabilidade. Um projeto vital pode até se modificar ao longo do tempo, mas deve ser estável o suficiente a ponto de conduzir o sujeito ao planejamento de ações presentes e futuras no intuito de atingir seu objetivo. Dessa forma, o projeto vital se diferencia de outras metas mais imediatas e cotidianas – como, por exemplo, chegar a tempo para determinado compromisso. Isso evidencia que não é qualquer meta ou objetivo almejado pelo sujeito que pode ser considerado um projeto vital.

Um segundo ponto importante relacionado ao conceito apresentado pelos autores reside no fato de que o projeto vital, embora contemple uma busca pessoal pelo sentido da vida, deve contemplar também uma orientação “externa”, um desejo do sujeito de fazer a diferença no mundo, de contribuir para aspectos que transcendem sua individualidade, seu próprio eu.

Por fim, um projeto vital não deve ser visto apenas como um objetivo por si só. O projeto é sempre constituído por metas que orientam as ações do sujeito. Essa busca pode estar relacionada a elementos materiais ou não materiais, internos ou externos ao sujeito, e pode também envolver metas não necessariamente atingíveis. Em outras palavras, o que caracteriza um projeto vital não é necessariamente sua possibilidade de concretização, mas o fato de conferir ao sujeito um senso de direção, um objetivo a ser buscado.

Em síntese, um projeto vital (purpose) configura-se como uma razão mais profunda que se apresenta como pano de fundo para os objetivos e motivos mais imediatos, e que, portanto, justifica as ações, preocupações e escolhas do sujeito. É nesse sentido que, segundo Damon, o projeto vital pode ser entendido como um grande objetivo da vida do sujeito, que embasa suas decisões e ações e, dessa forma, manifesta-se no comportamento do mesmo.

Assim, projetos, objetivos, finalidades dão sentido à vida das pessoas, organizam pensamentos e ações e estão relacionados com os sistemas de valores das pessoas. Se de forma intencional e dialética os projetos vitais e finalidades de vida das pessoas atendem a um duplo objetivo – de buscar simultaneamente a felicidade individual e coletiva –, pode-se falar que se baseiam em princípios de ética. Pode-se estar diante de valores morais ou o que William Damon denomina “projetos vitais nobres”.

Essa perspectiva deve orientar, igualmente, as práticas educativas em educação moral nas escolas. O trabalho de promoção e tomada de consciência de projetos vitais podem se constituir como elemento importante no processo de desenvolvimento dos jovens, possibilitando a eles a construção de um sentido ético na sua vida, o engajamento em objetivos que sejam significativos a si e ao mundo, bem como a satisfação em suas ações, escolhas e planos.

 

Prudência

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

Se precisar disparar a flecha da verdade, primeiro molhe a sua ponta no mel

(Provérbio chinês)

 

O jornal The Guardian publicou um estudo da London School of Economics, no qual se defende que o principal objetivo das escolas deve ser o de ajudar a criar pessoas bondosas e felizes. Para esse fim, talvez as escolas devam adotar um modo de funcionamento assente em um relacionamento que eleja a estética da sensibilidade, estimulando o espírito inventivo no lugar da mesmice das aulas, habituando o jovem a conviver com o incerto em substituição da reprodução mecânica de um planejamento de professor. E, sobretudo, jamais separando o desenvolvimento da cognição do desenvolvimento da afetividade. Podemos aprender sem dor. Bastará que a prudência seja posta no ato de educar. E, se a virtude pode ser ensinada, será mais pelo exemplo do que pelos livros.

Será urgente proporcionar às crianças oportunidades de aprender a não se compararem com outros, de usarem de um poder, que não sirva para mandar, mas para ajudar. Uma extrema prudência é necessária na criação de novas estruturas, dispositivos, atitudes, pois é um processo complexo, exige longa e perseverante aprendizagem.

Escutemos o mestre Agostinho da Silva: “O que importa não é educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das ideias… Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo”.

Na Finlândia, alunos são assassinados dentro da escola. Na Coreia, as autoridades educacionais estão empenhadas na desintoxicação do consumo de internet. Em outros países líderes do ranking do Pisa, o índice de suicídio juvenil é assustador. No tempo que trabalhei na universidade, prudentemente, reagi às queixas de uma aluna, que estava prestes a reprovar. A moça, filha única e mimada, vitimizava-se, atribuindo a colegas a causa de todos os seus males, inventando conspirações, cruéis perseguições à sua pessoa.

Certo dia, a aluna entrou na sala, chorosa, dizendo que se iria suicidar. Por prudência não desdenhei (confesso que senti vontade…), mas, também por prudência, não me demiti, não me desviei da situação… E disse-lhe: “Isabel, vá até junto do mar. Saboreia um pôr do sol. É gratuito, belo e diferente de dia para dia. Se, quando o sol se tiver posto, ainda tiveres intenção de te matar, tens ali o mar…”. A Isabel não voltou a se queixar.

Alguns anos decorrridos sobre o episódio, recebi um e-mail: “Professor, fui junto do mar, ver o pôr do sol, como recomendou. Amo a minha profissão, tenho um marido maravilhoso e uma filha linda, linda. Obrigada. Muito obrigada”.

Se, naquele fim de tarde, imprudentemente, eu tivesse dado ombro à Isabel, a teimosa continuaria a teimar na culpa alheia. Continuaria errando, no pressuposto de que um mundo astuto conspirava contra ela, de que um mundo malvado era a causa do seu insucesso. O mundo cruel que a Isabel inventara impedia-a de viver pelo sentimento e agir pela razão. Foi preciso que alguém estabelecesse uma relação de autenticidade para que a Isabel passasse a usar de prudência nos seus juízos. A Isabel tinha tudo, mas vivia sem ter sido.

Com a expansão das tecnologias digitais, cada vez mais seres humanos podem se comunicar, mas as novas conexões ter-nos-ão tornado prudentemente autênticos?

Livro do Mês – Dezembro


Por que elegemos Nascemos Livres como livro do mês de dezembro?

O que é liberdade? O que é ser livre? Vale cada pessoa fazer o que bem entende, sem pensar nos outros? A noção de liberdade implica não só a ausência de opressão, mas também a ideia de igualdade e não discriminação. Afinal, “nascemos e a vida nos recebe para vivê-la em liberdade. A liberdade nos permite enriquecer a todos com nossas diferenças”. Essas reflexões são fundamentais para a construção da cidadania responsável. Em Nascemos livres são apresentados os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, todos inter-relacionados e interdependentes, pois não há um direito mais importante  que outro na preservação da dignidade e liberdade do ser humano, sempre e em qualquer lugar do planeta. Com ilustrações de artistas do mundo todo, Nascemos livres revela a diversidade e o caráter universalista da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

1. Sugestão de atividade para a sala de aula Direitos Humanos

Este é um convite para valorizar na escola o que preconiza o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos: todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

 

Primeiras ideias:

Professor(a), pergunte aos alunos sobre os significados da expressão Direitos Humanos. Será que seus alunos a conhecem? O que sabem sobre esse tema? Qual a origem da expressão Direitos humanos? Anote na lousa as respostas para comentar depois. 

 

Refletindo sobre valores

A Declaração Universal dos Direitos Humanos começou a ser pensada quando o mundo ainda sentia os efeitos da Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945. Líderes mundiais decidiram complementar a promessa da comunidade internacional de nunca mais permitir atrocidades como as que haviam sido vistas na guerra e elaboraram um guia para garantir os direitos de todas as pessoas e em todos os lugares do globo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi então assinada em 10 de dezembro de 1948 na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Leia para os alunos o texto abaixo, extraído do site da ONU: 

Os Direitos Humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.

Os Direitos Humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à Educação, entre muitos outros. Todos merecem esses direitos, sem discriminação.

O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os Direitos Humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos. 

Após a leitura do texto, verifique se as concepções iniciais foram alteradas. Conhecer o contexto e a origem recente da Declaração dos Direitos Humanos ampliou a importância desse documento?  O que mudou? Conhecem alguém que esteja privado de seus direitos? Quando se sentem desrespeitados em seus direitos? Já foram desrespeitosos com alguém? Encaminhe a discussão para a necessidade de conscientização desses direitos para fazer valer a vida e a liberdade no cotidiano da escola e fora dela. 

 

Atividade coletiva:

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, composta por trinta artigos, defende a igualdade e a dignidade das pessoas. Apresente para a classe o texto completo e faça a leitura comentada de cada item. Proponha uma reflexão individual e a produção de um breve texto sobre o que cada um pode melhorar nas suas próprias ações, considerando a Declaração Universal. Em seguida, mostre a Cartilha dos Direitos dos Direitos Humanos, ilustrada por Ziraldo e produzida pelo MEC em parceria com a Unesco em 2008. Incentive os comentários dos alunos sobre as novas descobertas do tema.  

Depois da leitura, separados em duplas ou trios, os alunos podem trocar ideias e opiniões entre si sobre as situações na escola que poderiam ser resolvidas se todos soubessem de seus direitos. Qual é o artigo que aponta para essa solução? Proponha a elaboração de cartazes e histórias em quadrinhos ilustrando tais situações para incentivar, valorizar e promover os Direitos Humanos entre todos: na classe, com as outras classes e por toda a escola.

 

Sistematizando:

Para promover na escola o movimento “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos” organize uma exposição da produção dos alunos nos espaços coletivos da escola. Convide outras turmas e junte os professores e gestores para uma conversa boa sobre o tema. Se possível, amplie o convite para os pais e outras pessoas da comunidade, envolvidos em comitês de Direitos Humanos, fortalecendo o movimento para além da escola. Também se possível, divulgue no blog ou jornal da escola e do bairro.

 

 Para saber mais: 

MARINHO, Genilson. Educar em Direitos Humanos e formar para a cidadania. São Paulo: Cortez, 2012.

ROCHA, Ruth. ROTH, Otávio. Declaração Universal dos Direitos Humanos. São Paulo: Salamandra, 2004.

BONASSI, Fernando. Declaração universal do moleque invocado. São Paulo, Cosac & Naify, 2001.

 

Sites indicados: 

Site da ONU no Brasil http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-os-direitos-humanos”

Texto completo da Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm

 Cartilha sobre Direitos Humanos, ilustrada por Ziraldo http://www.turminha.mpf.gov.br/multimidia/cartilhas

Vídeo sobre Direitos Humanos dublado em português http://www.youtube.com/watch?v=cs5-rbwUGQQ

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