Arquivo mensal: novembro 2012

Livro do Mês – Novembro

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Por que elegemos Azur & Asmar como livro do mês de novembro?

Dois meninos tão diferentes em suas origens e tão parecidos na sua coragem são os personagens deste conto de fadas revisitado que traz à tona questões contemporâneas: os conflitos causados pela intolerância social, cultural e étnica.  Azur e Asmar, irmãos no afeto e na amizade, superam a rivalidade e os desafios enfrentando o desconhecido juntos.  As belíssimas ilustrações desvelam a riqueza de detalhes da cultura árabe e encantam o leitor. No contexto da sala de aula, a leitura do livro possibilita discutir a pluralidade cultural e a igualdade de direitos na diferença, assim como valorizar os vínculos de amizade da turma, construídos ao longo do ano.

Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.

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Não Violência

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

A violência é a manifestação da impotência

Rollo May

 

Uma professora amarrou os pés e as mãos de um aluno de seis anos, prendeu-o a uma cadeira e amordaçou-o com fita adesiva na frente dos colegas da classe, alegando que queria que o menino ficasse quieto porque precisava de silêncio na aula. Um aluno espetou uma faca no coração do professor porque este lhe deu uma nota baixa. Uma diretora foi xingada e pontapeada. Um jovem deu um tiro na professora e suicidou-se. A polícia militar patrulhou o campus da universidade. Quantas mais situações aberrantes poderiam aqui ser mencionadas?!

Recebi um e-mail vindo de uma professora: “Querido amigo, um aluno da nossa escola foi assassinado. Quando se trabalha na periferia é de se esperar que alunos envolvidos no tráfico tenham esse fim, não é mesmo? Porém o Juan não era esse tipo de menino, era um bobão. Ele provocava a ira de seus colegas e sempre apanhava, nunca batia. Era esse tipo de brigão, que queria mesmo era ser visto, pelo menos. A morte dele foi um golpe que nunca imaginei pudesse doer tanto. A notícia que temos é de que ’foi morto por engano, parecia-se com um traficante’. Dezesseis anos de um grande engano! Já fui ao enterro de dois jovens que foram meus alunos. Eram bagunceiros, saíram da escola sem saber ler. O que poderia fazer por eles? Fica a dor de saber que, na segunda-feira, a vida continua e que na escola temos outros Juans que estamos ajudando tão pouco! Só me sobra a dor. E essas palavras que de nada valem”.

Sei que há quem tente escamotear a morte, se quem morreu foi dispensado em horário de aula, por falta de professor, e acabou sendo morto… por engano. Mas também sei que há educadores indignados, que exigem ações públicas promotoras de paz e segurança. Sei que o Brasil da Educação está gestando humanidade, que a velha escola há de parir uma nova Educação. Eu sei!

O Dia Internacional da Paz foi instituído em 1981. A Assembleia das Nações Unidas decidiu, por unanimidade, proclamar esse dia como um dia mundial de não violência, convidando os povos, organizações e nações a desenvolverem práticas da paz em uma data comum, embora a construção de uma cultura de paz seja um processo contínuo. Por vezes, para ter paz, é necessário incorrer no paradoxo de reclamar na rua, como fizeram os povos do Egito, da Tunísia, da Líbia. Melhor seria que, no Brasil, tal não fosse preciso fazer… mas será preciso assumir uma estratégia de não violência, seguir os princípios do mestre Gandhi: é possível lograr a paz através de uma “teimosia pacífica”.

A escola e a família podem exercer grande influência na formação da pessoa, mas a decisão final depende do indivíduo. É uma prática cultural voluntária, fruto de opções. É bem conhecida a história que um velho índio contava ao seu neto. Falava de um combate entre dois lobos, que vivem dentro de todos nós. Um é mau, o outro é bom. O neto perguntou: “Qual o lobo que vence?”. O velho índio respondeu: “Aquele que você alimenta”.

Outro e-mail chegou trazendo notícia de mais uma tragédia: “Estou arrasada! Mataram mais um dos nossos meninos! O Emersom tinha 15 anos, mas parecia ter dez, naquele caixão. Ele era só uma criança perdida. Na escola era um bom menino, mas na vida não teve opção! Eu sinto que a família dele falhou e que não falhou sozinha. Mas ele pagou o preço sozinho! Foi mais um drogado retalhado a faca. Ninguém se importou, nem vai se importar. Senti-me impotente naquele velório. Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance, mas não foi suficiente. Ele já estava marcado para morrer. Peço a Deus para tirar esse amargo do meu coração e me dar força para continuar lutando por essas crianças. Ajude-me!”.

Meio Ambiente

À memória de Walter Steurer, no primeiro aniversário do seu falecimento

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

 Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come.

(Greenpeace)

É provável que um jovem passe cerca de uma década estudando a necessidade de cuidar dos recursos naturais, em manuais didáticos, em uma escola que se mantenha na margem de uma possibilidade concreta de intervenção. É provável que uma criança ingresse na primeira série em uma escola ao lado de um córrego poluído e saia de lá, ao cabo de alguns anos, com o córrego ainda mais poluído. É bem provável que os seus professores atravessem décadas de aulas sem lançar um olhar sequer para além dos muros da escola…

A Terra está doente porque nós estamos doentes. E doente continuará, enquanto a nossa maneira de viver for reproduzida nos valores que muitas escolas insistem em transmitir. A racionalidade que prevalece na maioria das práticas escolares augura tempos ainda mais sombrios e de graves conflitos socioambientais. Poder-se-ia pensar que uma escolarização prolongada propiciaria uma maior consciência ambiental, mas isso raramente acontece, por efeito de uma escola distante da vida real.

Entrei no banheiro de um aeroporto, lugar de passagem de executivos, pessoas de “formação superior”, supostamente na posse de muitos conteúdos de Educação ambiental. A água escorria abundante de uma torneira avariada. Nenhum daqueles executivos se importou com o fato. Na parede, por cima da máquina de onde eram arrancadas resmas de papel, jogado no lixo quase seco, havia um apelo: “Senhores usuários, sejam educados. Duas folhas são suficientes para enxugar as mãos”.

O americano Richard Louv criou um novo conceito: “transtorno da falta de contato com a natureza”. Verificou a tendência, cada dia mais evidente, de as novas gerações se afastarem do contato com a natureza, do qual resulta um conjunto de problemas comportamentais. As crianças têm bons motivos para ficarem dentro de casa: computador, video games, televisão. Gastam, em média, 44 horas por semana jogando polegares sobre mídias eletrônicas. Por seu turno, as escolas levam-nas a explorar o ambiente… em livros didáticos.

Urge instituir novas práticas sociais nos lugares onde a Educação do caráter acontece. Consciente dessa necessidade, já pensei em fazer um Guia quatro rodas dos bons exemplos educacionais do Brasil, pois conheço muitos. Dele constaria, certamente, uma das cartas que o amigo Walter escreveu: “Por muito tempo tratamos a Terra como algo a nosso serviço, que podíamos aproveitar ilimitadamente. Nunca pensamos na Terra como sendo nós também parte dela, de seu complexo sistema de vida. O Projeto Âncora tem intensificado cada vez mais o trabalho de consciência ecológica com as crianças e jovens. Acreditamos que esses meninos e meninas, além de estarem abertos, mais que os adultos, às necessidades de mudanças em comportamentos e atitudes, são capazes de influenciar suas famílias. Nossos índios detêm a sabedoria capaz de nos salvar e de salvar o Planeta, são capazes de viver em liberdade, tirando da Terra somente o necessário, com uma organização social que não conhece a corrupção, em que o enriquecimento não faz parte das aspirações pessoais, em que o bem estar coletivo está acima de tudo. Em nosso dia a dia, podemos usar a Carta da Terra como nosso código de conduta. Nos alegremos por viver neste momento da história humana, em que nos é dada a possibilidade de mudar o rumo da história e salvarmo-nos da destruição da vida”.

Livro do Mês – Outubro

Por que elegemos A travessia de elefantes como livro do mês de outubro?

O rei de um país da África decide enviar ao presidente de uma nação distan­te os vinte melhores elefantes de seu reino e encarrega o capitão Yahadi de pilotar o navio com a valiosa carga. Mas, no porto de chegada, ninguém sabe o que fazer com o presente, e os animais não podem desembarcar. Baseada em uma lenda africana, a história convida o leitor a refletir sobre questões ligadas à responsabilidade, ao respeito por outras culturas e à sensibilidade e inteligência dos animais e das crianças. A leitura do livro A travessia de elefantes oferece uma oportunidade para discutir com seus alunos a temática da amizade e solidariedade, assim como refletir sobre a importância das relações pessoais.

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Livro do Mês – Setembro

Por que elegemos Plantando as árvores do Quênia como livro do mês de setembro?

 O livro narra a história da primeira mulher africana a receber o Nobel da Paz. A ambientalista queniana Wangari Maathai, fundadora do movi­mento Cinturão Verde, ganhou o prêmio em 2004 por sua contribuição ao desenvolvimento sustentável, à democracia e à paz. Ela começou com poucas mudas e conseguiu mobilizar toda a população a plantar mais de 30 milhões de árvores no Quênia. Na sala de aula, a leitura de Plantando as árvores do Quênia possibilita refletir sobre iniciativas individuais que geram consequências positivas ao grupo, além de apresentar aos alunos a importância da mobilização popular.

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Livro do Mês – Agosto

Por que elegemos O monstro peludo como livro do mês de agosto?

Um monstro peludo vive sozinho na floresta. Seu maior desejo é degus­tar um apetitoso ser humano, mas ninguém aparece ali. Até que um dia o rei resolve cavalgar por aquela região inóspita e é capturado. Pres­tes a ser comido, Sua Majestade lhe propõe um acordo: trocar sua vida pela de uma criança. O monstro aceita a proposta, e, por fatalidade, a primeira criança que surge é a princesa Lucila, filha do rei. A menina passa a brincar com as palavras, usando rimas em suas respostas, o que irrita o monstro e acaba por derrotá-lo. Uma história divertida sobre o poder da poesia. A leitura do livro O monstro peludo propõe refletir sobre o respeito às diferenças e valorizar atitudes não excludentes em sala de aula.

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Livro do Mês – Julho

Por que elegemos Album de família como livro do mês de julho?

A menina Manuela descobre com a bisavó Maria Tercília e o bisavô Neném que os baús podem guardar histórias de uma época e muitas lembranças de família, agora compartilhadas com a bisneta. Encantada com as histórias de antigamente, Manuela desvenda as diferenças da vida na cidade grande e no campo enquanto experimenta a relação cuidadosa e afetiva com os mais velhos. A leitura do livro Álbum de família incentiva a convivência harmoniosa e o respeito entre as diferentes gerações, valorizando a historia familiar. Ao envolver-se no ato de lembrar, os alunos experienciam o fenômeno das lembranças das coisas, lembrando-se de si e ressignificando o passado no presente.

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