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DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

SUGESTÃO DE ATIVIDADE

A data foi instituída em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato, no dia 18 de Abril de 1882, o visionário escritor que lutou muito para ampliar a leitura no Brasil. Até os dias atuais é reconhecido como o principal autor de livros infantis, por sua linguagem fácil e imaginativa.

1 – “Um país se faz de homens e livros” – Monteiro Lobato

Monteiro Lobato retratou como ninguém a essência da cultura brasileira em sua obra, por meio de personagens com característica regionais, evidenciando os costumes da roça e as lendas do folclore nacional.

RODA DE LEITURA

Modo de fazer:

1. Escolha uma obra de Monteiro Lobato.

2. Dilua a leitura em rodas diárias, criando suspense e despertando a curiosidade das crianças para a próxima roda.

2 – “Quem conta um conto aumenta um ponto”

Após a leitura, monte uma oficina de criação com seus alunos. Proponha que em duplas  elaborem um texto mudando ou acrescentando personagens, acontecimentos e situações à história lida. Os recontos deverão se transformar em um livro que poderá ser doado para a biblioteca da escola para que outras crianças possam perceber que também são capazes de se transformarem em autores.

Crie uma bela capa com desenhos feitos pelos alunos. Vai ficar sensacional!

X da questão

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes.

(Fernando Pessoa)

As conclusões de um estudo de caso talvez sintetizem a intenção deste dicionário. Comecemos por atribuir um nome fictício à escola: “Escola X”, por nela estar contido o… X da questão. É uma instituição da rede particular de ensino de uma cidade capital de estado. Acolhe alunos provenientes de famílias de classe média-alta. A Escola X dispõe de um belo projeto, no qual pontificam os valores inscritos na Lei de Diretrizes e Bases: autonomia, respeito, democraticidade… O projeto (escrito) contém abundantes citações de autores na moda, num discurso feito de pedagogia pseudo-humanista e de caricaturas de construtivismo. A prática é a negação daquilo que está escrito.

Acompanhados de pais que, conscientemente, aderiram ao projeto, alguns professores da Escola X tomaram a iniciativa de rever práticas e dar-lhes coerência. Crentes de que a autonomia é construída através da cooperação, perguntavam: como é possível desenvolver autonomia numa aula, quando se considera o educador como objeto, mero executante de determinações?

Foram instalando dispositivos, refletindo efeitos, trabalhando gratuitamente, fora do horário de aula, em equipe. Excelentes resultados não demoraram a surgir. Logo também apareceram torpes reações: colegas “professores” (não sei se poderei dar-lhes tão digno estatuto) sabotaram o trabalho dessa equipe. E todo o esforço se perdeu entre os caprichos do dono da Escola X e a conivência de serviçais “professores”, que, para não perderem o emprego, perderam a dignidade. “Professores”, cuja desonestidade intelectual foi recompensada com tablets oferecidos por um chefe que crê que o dinheiro pode comprar consciências.

Esse diretor, ignorante do que seja a pedagogia, tomou decisões carentes de fundamentação pedagógica, científica, ou de mero bom senso, e que feriam os valores consagrados no projeto da instituição. Decisões com obediência bovina comunicadas (ou, melhor dizendo, impostas) por uma coordenadora aos educadores. Herdeiro de uma cultura autoritária, o dono da Escola X impôs os seus caprichos, beneficiando a representação conservadora que muitas famílias-clientes têm do que seja uma escola e um projeto. Verifiquei, aliás, que esses pais conservadores ignoravam o conteúdo do projeto, nunca o leram!

Aquela escola transformou-se numa fraude. Conceitos como democraticidade, diálogo e responsabilidade ética continuam a enfeitar o projeto (escrito), enquanto os padrões de comportamento quotidiano refletem uma herança civilizatória calcada na dominação, no autoritarismo. Os educadores, que ousaram não concordar com absurdas decisões, não puderam fazer ouvir a sua voz. Foram intimidados, ostracisados e até mesmo despedidos. O trabalho sério de reflexão sobre as práticas, um acervo de rica documentação arquivada num computador, desapareceu misteriosamente. Ninguém soube indicar o seu paradeiro… E a Escola X continuou cativa de uma concepção de produção em série, do papaguear conteúdo, da parcelarização do conhecimento.

Alguns pais, os mais conscientes da situação, reagiram, exigiram o cumprimento do projeto. Porque não foram escutados, levaram os seus filhos para outras escolas. Denunciei as contradições, mas isso para nada serviu. Afastei-me da Escola X.

Mais uma iniciativa de professores sérios foi frustrada. Mas não se pense que os pais e professores desistiram – foram recomeçar em outro lugar.

A situação descrita não é inédita; é bem comum, aliás. E permite-nos perceber uma das razões pelas quais o Brasil continua imerso numa profunda crise moral.

Verdade

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

A verdade padece, mas não perece.

(Santa Teresa d’Ávila)

 Conta-se que um filósofo conversava com o diabo, quando passou um sábio com um saco cheio de verdades, do qual uma caiu. Alguém a apanhou e saiu correndo, gritando: Encontrei a verdade! Perante esse quadro, o filósofo disse para o diabo: Aquele homem encontrou a verdade e, agora, todos vão saber que você é uma ilusão da mente. Mas o diabo respondeu: Está enganado. Ele encontrou um pedaço da verdade. Com ela, vai fundar mais uma religião. E eu vou ficar mais forte!

Quem sofrer de alguma forma de angústia existencial encontrará respostas em Kalil Gibran, ou em Antoine Saint Exupéry. Aqueles que estiverem em situação de dúvida religiosa poderão recorrer à Bíblia, ao Corão, ou a outro qualquer livro sagrado. Essa experiência pode constituir-se numa bela harmonia. Certamente, haverá muitas verdades para a verdade em que acreditamos. Se eu vejo de um modo e o outro vê de outro modo, que se tente ver os dois modos, ver juntos, como Mahatma Gandhi fazia: “A minha preocupação não está em ser coerente com as minhas afirmações anteriores sobre determinado problema, mas em ser coerente com a verdade.” Não esqueçamo-nos que foi a imposição de uma “verdade” única que levou Espinosa ao exílio e Galileu à retratação.

O José Prat ironiza: “Sempre que alguém afirma que dois e dois são quatro, e um ignorante lhe responde que dois e dois são seis, surge um terceiro que, em prol da moderação e do diálogo, acaba por concluir que dois e dois são cinco”…
Apesar das distorções da informação cometidas pela mídia, a verdade continua sendo verdade. Quando a mentira, tal como a Medusa, contempla o escudo de Teseu e soçobra, é porque reconhece a sua verdadeira face.

Um e-mail recebido de uma professora está escrito:

- Eu estava numa palestra sua e lhe fiz uma pergunta. Me apresentei como pedagoga e disse que tinha duas dúvidas. O senhor me respondeu algo assim: Como pode ser pedagoga e ter apenas duas dúvidas?

Acredito que todo o ser humano é uma dúvida, uma “metamorfose ambulante”. A dúvida e a humildade são companheiras diletas da verdade, uma mistura sublime. Aceitemos, serenamente, os mistérios por desvendar, sem necessidade de explicações para o inexplicável.

Venho repetindo que o princípio da veracidade deverá nortear todos os projetos educativos. Mas, na boca das crianças, a verdade chega a ser crueldade…

- Ah tia, desculpe! – disse a aluna.

- Por que, minha filha? – quis saber a professora.

- É que chamei a senhora de idiota – esclareceu a criança.

- Eu não escutei nada – disse a professora, sorrindo.

- Foi só em pensamento… – esclareceu a criança.

Ainda que disso não tome consciência, a criança age filosoficamente, buscando verdades. Verdades como a que reconstitui a história da filosofia dos adultos: Thales afirmava ser a água o elemento fundamental da matéria. Anaxímenes acreditou que fosse o ar. Para Xenófanes, o elemento fundamental era a terra. Heráclito afirmou que era o fogo. E chegou Empédocles, para explicar que o mundo é combinação da água, ar, terra e fogo. As crianças e os loucos falam verdades que a sua época permite vislumbrar. Talvez por isso, os loucos sejam internados em hospícios e as crianças em escolas. Permite, pois, que vos narre mais um episódio, confirmação da infantil prática da verdade.

Uma professora tentava convencer os alunos a comprar uma  cópia da foto do grupo:

- Imaginai que bonito será, quando vocês forem  grandes e todos digam “ali está a Catarina, é advogada, este é  o Miguel e, agora, é médico”.

Uma vozinha, vinda do fundo da  sala, fez-se ouvir:

- E ali está a professora… Que já morreu.

Livro do Mês – Fevereiro

nakusha

Por que elegemos Nakusha, a indesejável como o livro do mês de Fevereiro?

Nakusha, Latifa e Lal são três personagens fictícias que representam centenas de mulheres reais. Elas vivenciam histórias  cheias de preconceitos, desigualdade e discriminação por consequência de hábitos perpetuados ao longo de gerações, justificados pela tradição ou pela religiosidade.

A partir da leitura de Nakusha, a indesejável, o professor poderá propor discussões sobre a igualdade entre  homens e mulheres. Esse é um tema atual e necessário, já que muitas mulheres continuam sendo exploradas, violentadas e proibidas de usufruir de seus direitos básicos. Além disso, os aspectos da culinária, artes plásticas e música presentes no livro podem ser trabalhados de modo interdisciplinar, envolvendo a história, a geografia e as artes para aprofundar os conhecimentos dos alunos sobre as diferenças entre regiões e culturas.

É uma história de luta por sobrevivência, respeito e dignidade.

Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.

Uma atitude é uma atitude…

José Pacheco
Mestre em educação da Criança,
ex-diretor da Escola da Ponte em Portugal

      O correr da vida embrulha tudo. Vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí
afrouxa, Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

(Guimarães Rosa)

São os valores que definem o rumo de um projeto pedagógico e traduzem-se em atitudes. Se tal não suceder, um projeto não ultrapassará o nível das intenções.

O André estava prestes a reprovar, porque já quase havia ultrapassado o limite permitido de “faltas disciplinares”. O pai do André foi saber o que se passava. Foi-lhe explicado que o filho saía da sala de aula sem autorização da professora. Chegado a casa, o pai do André perguntou-lhe se tinha consciência do risco que estava a correr. O jovem respondeu afirmativamente. Ainda mais preocupado, o pai voltou à escola, tentando entender a obstinação do filho. Um professor amigo acolheu-o e explicou o que vinha acontecendo, desde que uma professora nova tomara a responsabilidade de dar aulas à turma do André. A professora era uma senhora insegura. No início da aula, gritava, ameaçava de mandar sair da sala, com falta disciplinar, todo o aluno que perturbasse a aula. Havia na turma um aluno, que parecia estar sempre de bem com a vida, dado que um sorriso permanentemente lhe enfeitava o rosto. A professora, supondo que o sorriso correspondia a desafio, pusera esse aluno fora da sala várias vezes. Tantas vezes quantas o André havia saído e, consequentemente, sido punido com “falta disciplinar”.

Na primeira vez, o André tentara explicar que o sorriso do colega era natural, uma característica. Não conseguira fazê-lo. A professora o mandou calar. O André saiu tantas vezes quantas o colega havia sido expulso, porque não concordava com a atitude injusta da professora e manifestava-se desse modo: num protesto mudo. Porque a solidariedade era um dos valores do quadro axiológico do projeto da escola que o André frequentara, antes de ingressar naquela, em que… quase reprovara por excesso de “faltas disciplinares”.

Uma atitude é uma atitude. E uma vida feita da constante demissão de atitudes é uma vida… sem atitude. Para salvar a pele, se perde o sentido da vida; para poupar incômodos, perdemo-nos a nós mesmos.

Em 1934, a primeira Constituição, que atribuiu ao Estado a responsabilidade pela educação do povo, inspirava-se em valores e princípios na época prevalecentes. Decorrente de tais valores e princípios, o Brasil da educação formal cuidou de formar elites e descuidou da educação do povo. Hoje, desdenha-se a ética (muitos membros da elite cometem crimes de colarinho branco…), num jogo de salve-se quem puder, porque a educação escolar fragilizou a responsabilidade social.

Poderá haver educação em práticas sociais que impedem a assunção de uma vida plena, quando não fazemos aquilo que se pode e se sonha poder fazer? Num tempo em que a Escola da Ponte começava a deixar de ser uma “escola dos pobres e deficientes”, passando a ser uma escola de todos, um pai, juiz de profissão, confidenciou-me: A minha filha aprenderá nesta escola aquilo que outras escolas lhe poderiam ensinar. Mas pode aprender aqui coisas que outras escolas não lhe ensinariam

Na sua primeira visita à Escola da Ponte, Rubem Alves deteve-se a observar uma menina, que consultava um dicionário. Perguntou por que o fazia. A menina respondeu: Estou fazendo uma lista de palavras “difíceis” deste texto e escrevendo-as de uma maneira mais simples.

O Rubem insistiu:

- Foi um professor que te mandou fazer essa tarefa?

- Não! – disse a menina – Eu sei o sentido destas palavras. Mas os meus colegas menores ainda não sabem consultar o dicionário e eu decidi ajudá-los, para que eles compreendam o texto, que é bem bonito.

Livro do Mês – Janeiro

A pipa preta

Por que elegemos A Pipa Preta como livro do mês de janeiro?

Pedro, sentado na laje de sua casa, olhava para o mundo e imaginava como tudo poderia ser diferente. Empinando uma pipa, descobriu que conseguiria puxar a linha mais rapidamente do que todos os seus amigos e começou a ensaiar as manobras: cair na braçada, aparar, revirar, até que debicou!  A Pipa Preta dá voz a um menino pobre da favela e sua incrível aventura, para além do bairro de classe média em frente ao morro, ao se transformar no melhor pipeiro. Essa leitura em sala de aula possibilita a discussão de questões fundamentais para a boa convivência: o bullying, a discriminação, os preconceitos, a desigualdade social, a prática de atitudes solidárias e o que se faz para ser aceito por um grupo.

Clique aqui e conheça o projeto de leitura que Edições SM elaborou para o trabalho com esse livro.

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